Laudo Pericial Desfavorável: O Que Fazer?

Laudo Pericial Desfavorável: O Que Fazer?
Dra. Denise Calvet
Dra. Denise Calvet
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O advogado acompanhou o processo desde o início. Reuniu documentos, formulou quesitos, preparou o cliente para a perícia. E quando o laudo pericial chega, a conclusão é desfavorável.

É um momento frustrante. Mas é importante saber: um laudo pericial desfavorável não significa que o caso está perdido.

O Código de Processo Civil oferece mecanismos para questionar o laudo, e o assistente técnico médico é a peça-chave para transformar uma situação adversa em oportunidade de reverter o resultado.

O laudo pericial é definitivo?

Não. Esse é um dos mitos mais comuns no meio jurídico. O laudo pericial é uma das provas do processo, não a única. O juiz não é obrigado a segui-lo — pode formar sua convicção com base no conjunto probatório.

O art. 479 do CPC é claro: "O juiz apreciará a prova pericial de acordo com o disposto no art. 371, indicando na sentença os motivos que o levaram a considerar ou a deixar de considerar as conclusões do laudo, levando em conta o método utilizado pelo perito."

Ou seja: se o advogado demonstrar que o laudo tem falhas, o juiz pode desconsiderá-lo — total ou parcialmente.

Por que laudos periciais têm falhas

Antes de pensar em como contestar, é importante entender por que laudos desfavoráveis frequentemente contêm problemas técnicos:

Exame pericial incompleto. O perito pode ter omitido exames relevantes, não analisado documentos importantes do processo ou conduzido a avaliação de forma superficial.

Ausência de fundamentação em literatura. Conclusões sem referência a literatura científica, guidelines ou protocolos clínicos são tecnicamente frágeis e podem ser contestadas.

Metodologia inadequada. O laudo precisa descrever o método utilizado para chegar às conclusões. Quando não há descrição metodológica clara, a confiabilidade das conclusões é questionável.

Quesitos respondidos de forma genérica. Respostas como "sim", "não" ou "prejudicado" sem fundamentação técnica são insuficientes e podem indicar superficialidade na análise.

O que o advogado pode fazer

1. Solicitar esclarecimentos ao perito (art. 477, §2º do CPC)

Após a entrega do laudo, as partes têm prazo para solicitar esclarecimentos ao perito sobre pontos obscuros, contraditórios ou incompletos. Essa é a primeira oportunidade de questionar as conclusões.

Os esclarecimentos devem ser objetivos e direcionados. Perguntas vagas não ajudam. O ideal é que um assistente técnico formule as perguntas de esclarecimento — ele sabe exatamente onde estão as fragilidades do laudo.

2. Apresentar parecer técnico divergente

O assistente técnico pode elaborar um parecer médico-legal fundamentado que contesta as conclusões do perito judicial. O parecer divergente é juntado aos autos e apresenta ao juiz uma visão técnica alternativa.

Um bom parecer divergente não é simplesmente "discordar" do perito. Ele precisa:

  • Apontar especificamente as falhas do laudo (metodológicas, de fundamentação, de completude)
  • Fundamentar a divergência em literatura científica atualizada
  • Apresentar conclusão alternativa tecnicamente sustentável
  • Usar linguagem acessível para que o juiz compreenda os argumentos médicos

3. Impugnar o laudo pericial

A impugnação é o ato processual formal de contestar o laudo. Para ser efetiva, precisa ir além de alegações genéricas de insatisfação. A impugnação deve demonstrar concretamente as falhas técnicas do laudo.

Fundamentos comuns para impugnação:

  • Falta de fundamentação científica — conclusões sem base em literatura ou protocolos
  • Omissão de dados relevantes — documentos do processo não analisados pelo perito
  • Metodologia inadequada — ausência de descrição do método ou uso de método não reconhecido
  • Incompetência técnica — perito sem formação na especialidade exigida pelo caso
  • Inconsistência interna — contradições entre os achados do exame e as conclusões do laudo

4. Requerer nova perícia (art. 480 do CPC)

Em casos mais graves, o advogado pode requerer a realização de nova perícia. O art. 480 do CPC prevê essa possibilidade quando a matéria não estiver suficientemente esclarecida.

A nova perícia não substitui a primeira — ambas são consideradas pelo juiz. Mas um segundo laudo, realizado por perito com formação mais adequada, pode trazer conclusões diferentes e fundamentadas que equilibrem o conjunto probatório.

O papel do assistente técnico nesse cenário

Se o advogado já contava com assistente técnico antes do laudo, a contestação é muito mais rápida e robusta — o profissional já conhece o caso, acompanhou a perícia e sabe exatamente onde estão as fragilidades.

Se o assistente técnico é contratado após o laudo desfavorável, ainda assim é possível atuar. O profissional analisa o laudo, identifica os pontos contestáveis, fundamenta o parecer divergente e orienta o advogado na estratégia de impugnação.

Na prática, o assistente técnico faz o trabalho que o advogado não tem condição de fazer sozinho: ler o laudo com olhos de médico e contestar com argumentos técnicos que o juiz compreende.

Exemplos de situações reversíveis

Para ilustrar, veja situações reais em que laudos desfavoráveis podem ser contestados:

Caso 1: Perda auditiva ocupacional. O perito concluiu que não há nexo causal, mas não analisou as audiometrias seriadas do trabalhador nem considerou o histórico de exposição a ruído documentado no PPP. A omissão desses dados compromete a conclusão.

Caso 2: Burnout. O perito concluiu que o transtorno é preexistente, mas não avaliou o ambiente de trabalho, não analisou os atestados médicos do período laboral e não referenciou os critérios diagnósticos da CID-11 para síndrome de burnout.

Caso 3: Responsabilidade civil médica. O perito concluiu que a conduta foi adequada, mas o prontuário está incompleto, não há registro de consentimento informado e a técnica utilizada diverge dos protocolos da especialidade.

Em todos esses casos, um assistente técnico com formação adequada identifica as falhas e constrói parecer fundamentado para contestar.

Como evitar laudos desfavoráveis

A melhor estratégia é preventiva. Contratar assistente técnico antes da perícia — não depois — faz diferença significativa:

Quesitos bem formulados direcionam o exame e reduzem a chance de laudo genérico ou incompleto.

Acompanhamento presencial garante que o exame seja conduzido adequadamente e que todos os aspectos relevantes sejam avaliados.

Análise prévia do caso identifica pontos fortes e fracos antes da perícia, permitindo ao advogado ajustar a estratégia.

A perícia médica é, muitas vezes, a prova que define o processo. Entrar nesse momento sem estratégia técnica é deixar o resultado nas mãos do acaso.

Conclusão

Um laudo pericial desfavorável é um obstáculo, não um veredito. O CPC oferece mecanismos claros para contestar, esclarecer e até substituir a prova pericial. Mas para usar esses mecanismos de forma efetiva, o advogado precisa de fundamentação técnica — e isso é exatamente o que o assistente técnico entrega.

Se o laudo do seu caso veio desfavorável e você não sabe se há o que contestar, uma análise técnica do laudo pode revelar caminhos que não são visíveis sem olhar clínico especializado.

Quer saber se o seu caso se beneficia de assistência técnica médica?

Entre em contato para discutir o caso. Atendimento direto com a Dra. Denise Calvet.

Dra. Denise Calvet

Dra. Denise Calvet

CRM-SP 231138

Médica Otorrinolaringologista com 16 anos de experiência. Pós-graduação em Direito Médico, Medicina do Trabalho, Psiquiatria e Medicina Legal e Perícias Médicas pela USP. Atua como Assistente Técnica Médica e Perita Judicial em todo o Brasil.